Crônica

Crônica das amizades lunáticas

maio 20, 2026 · Pedro K. Calheiros

Há algumas amizades – se é que podemos chama-las de amizades – que só nos procuram quando melhor lhe apetecem; quando precisamos delas há um silêncio. É como se elas soubessem que estamos sempre à disposição e por isso não nos levam tão a sério.

É que eu estou numa idade (sim, me sinto idoso aos vinte e cinco) que não faz sentido fazer joguinhos. Caso eu esteja disponível, irei responder na hora, uai, por que irei fazer charme? Mas eu fico muito pensativo quando, por algum motivo, envio mensagem e sou ignorado; é como se eu fosse um brinquedo que só é acessado quando a outra parte quer.

Fica decretado, desde já, a lei da reciprocidade. Ficarei quieto no meu canto, lendo meus livros, vendo o futuro alheio nas cartas, montando um lar pitoresco para chamar de meu. O resto é ruído. E nem merece virar crônica. Percebi há algum tempo que sou mais cronista crônico do que um poeta crônico, mas isso é papo pra outro dia. Tchau.