O dia em que fui obrigado a ouvir Djavan

Em meu comeback à Paris dos Trópicos (ou melhor, após o meu regresso das minhas férias), decidi conhecer um bistrô que inaugurou na Avenida Eduardo Ribeiro. O ambiente é à moda antiga, exatamente como eu gosto, a atmosfera vagueia entre um ambiente do século XX e detalhes modernos demais que logo me trazem de volta ao meu momento temporal verdadeiro; no século passado não haviam tantas pessoas presas em telas.
Durante a minha visita, conheci a famosa soprano Maria Gerk, que estava com a sua linda família. O pequeno com seus dois anos me contou sobre o Relâmpago McQueen e seu esposo gentil estimulou a interação. Interpretei o momento como um sinal do Universo a avisar que já passou da hora de presenciar um evento tão importante para a nossa terrinha. A convite da Maria, estarei a prestigiar o festival com o coração embebido do frescor que somente a arte é capaz de proporcionar.
Manaus me recebeu com uma chuva que atrasou a minha chegada. O avião, aguardando autorização para pouso, voou em círculos por alguns minutos; meu fone de ouvido conectou com outro celular e passei boa parte do sobrevoo à floresta amazônica ouvindo Djavan. Seja lá quem for, meu colega de viagem misterioso me ajudou a economizar bateria e pelo menos tem bom gosto musical. Estava com saudades de ouvir “Açaí” – mais ainda de tomar um de verdade.
Publicado no Jornal do Commercio no dia 30 de maio de 2026.