Um recado para o Pedro do passado

Escrevo-te, Pedro do passado, para dizer que estás a realizar um sonho – estás a viajar, sozinho, pela primeira vez – e, além disso, estás a usar travessão, o que fará com que as pessoas que não entendem nada da arte da escrita ficarem a achar que tu és tão inteligente quanto uma inteligência artificial. Brincadeira. A energia carioca é inebriante e o apartamento em que estás a se hospedar, pitoresco; é mágico está a viver o que antes tu ficavas apenas a imaginar como seria. A sua mente realmente era a sua única limitação e, no fim, tudo começou a dar certo, mesmo que, aparentemente, o caos tenha se instaurado; é que uma boa história precisa de um drama, não é mesmo? As mulheres cariocas são lindas e tu já se apaixonaste por várias; há qualquer coisa de poético nisso tudo, principalmente nos poemas que tu jamais poderás publicar… O Deja Vú se tornou o seu bar de vinhos favorito e merece menção honrosa; tu iniciaste aquele hobby de fotografia que por tanto tempo adiou e, por acaso, estás a treinar o teu olhar fotográfico muito bem – é que a tua lente de poeta capta imagens antes do clique, o que facilita um pouco as coisas. Agora lá vai algumas dicas: O registro da esquerda é responsável pela água quente, não flerte com uma moça chamada Isabela (é uma péssima ideia e não me pergunte o porquê), tome cuidado para não ser atropelado quando estiver andando de bicicleta por aí e faça vários amigos, tu nunca mais hás de ter 25 anos e a liberdade que tu tens outra vez de fazer (quase tudo) o que quiser.
Rio de Janeiro, 04 de maio de 2026.